Desenvolvimento profissional

Entenda o que são estratégias de coping e como aplicá-las nas organizações

dezembro 17, 2018
Tempo de leitura 10 min

Em tempos de mudanças cada vez mais frequentes e intensas, todos passamos a viver situações estressantes ao longo da vida, e isso não muda mais. No ambiente de trabalho e na carreira não é diferente, sendo um espaço em que necessariamente enfrentaremos estresse e situações de crescente tensão, indiferente das escolhas profissionais feitas.

É aí que entra o conceito de coping, muito estudado pela chamada Psicologia Positiva e neurociências. Ele está relacionado à forma como as pessoas lidam e enfrentam essas situações adversas ao longo da vida e da carreira.

O que é o estresse no ambiente de trabalho?

Antes de entender o que é coping, é essencial que você saiba o que pode ser considerado como estressor em um ambiente de trabalho.

Estressores são todas as situações de mudança e transformação com significativo impacto na pessoa, assim como qualquer coisa inesperada que acontece, decorrente de circunstâncias imprevisíveis. Segundo essa definição muito utilizada pela psicologia — como um resultado negativo, promoção que não veio, demissão, mas também se formar na faculdade ou, inclusive, ganhar na loteria — podem ser consideradas como estressores, pois nos exigem enfrentar uma situação diferente da planejada, esperada ou desejada.

Surpreendente, não é mesmo? Mas isso acontece porque essas situações modificam o contexto de vida das pessoas, exigindo mudanças de comportamento e necessárias adaptações.

No ambiente de trabalho não é diferente. Qualquer mudança ou imprevisto também pode ser considerado como estressor. Portanto, fusões, mudança de função (transferência de área, promoção etc), transformações internas, saída e entrada de novos profissionais (superiores, subordinados, pares …) : tudo isso gera estresse no ambiente organizacional, por conseguinte nas nossas relações.

Porém, a forma como cada pessoa enfrenta essas circunstâncias, assim como, a forma de cada um perceber e lidar com elas, é o que realmente irá fazer a diferença. E é aí que entra o conceito de coping.

O que é coping?

Coping, em tradução literal do inglês, significa lidar, reagir de maneira efetiva diante de uma situação desafiadora, estressante, problemática. Esse termo é utilizado nas relações sociais, em assessments e análise de prontidão e potencial para designar estratégias de enfrentamento utilizadas pelas pessoas em situações de estresse e nos respectivos resultados obtidos ou esperados.

É como se fosse um padrão mental e emocional de funcionamento e de resposta, que é ativado todas as vezes que as pessoas entram em contato com alguma circunstância de crescente complexidade e tensão e que exige mudança de postura como resposta a situação que que gera dor, ansiedade, medo, dúvida e angústia.

E, apesar de cada pessoa possuir um padrão de respostas próprio, que lhe são ‘naturais’, existem tipos diferentes de estratégias de coping. Em gestão de pessoas é considerada competência, atributo ou inteligência, MAS que pode ser aprendida e desenvolvida ao longo da vida.

Quais são os tipos de estratégias de coping?

Você já sabe que existem várias formas de lidar com problemas e situações tensas que causam efeitos emocionais dentro e fora da organização. Nenhuma delas é mais correta do que a outra, pois ambas podem ser desenvolvidas para que os profissionais saibam qual é o melhor momento de utilizar cada uma.

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Coping orientado à resposta emocional

Toda situação estressante gera uma resposta emocional que, inclusive, se transforma em uma resposta física. A pessoa pode se sentir ansiosa, angustiada, triste, desmotivada e, tudo isso, reflete no aumento da tensão muscular, dos batimentos cardíacos, da pressão arterial, entre outros.

Portanto, essa estratégia de enfrentamento está mais ligada ao autoconhecimento e conseguinte gestão das emoções que tradicionalmente comprometem o resultado, geradas por determinadas circunstâncias, tendo em conta a situação, as pessoas envolvidas e as consequências conhecidas ou desconhecidas. A pessoa pode utilizar estratégias de evitação ou esquiva, buscando escapar aos estressores a enfrentá-los.

A evitação e esquiva decorre da ausência de confiança quanto a efetividade no enfrentamento da situação, haja vista experiências negativas no passado, insegurança ou ausência de aptidão e coragem para o enfrentamento da consequência ou do desconhecido, que pode ser caracterizado como limitações do “GRIT”. Uma alternativa, desejável para maior autonomia e controle de nível superior, pode ser obtida por técnicas de meditação e outras metodologias que diminuem o efeito emocional limitador de respostas mais efetivas- inteligência emocional, resiliência.

Coping orientado ao problema

Cabe explicar que ‘problema’ é uma situação de alto impacto nos resultados (positivo ou negativo), mas que desconhecemos as causas, logo, não se sabe ainda como controlar ou influenciá-lo. O coping orientado ao problema é o outro tipo de estratégia de enfrentamento existente.

Ele está mais relacionado a uma tentativa de busca por soluções, resolvendo efetivamente a situação que gerou o estresse, haja vista um propósito, objetivo ou meta. Nesse aspecto, a pessoa analisa o evento e, a partir de um diagnóstico e do autoconhecimento, busca recrutar recursos externos e internos como formas de resolver ativamente a situação.

Ela pode, por exemplo, mobilizar recursos pessoais (conhecimento, experiência, network …)  ou externos, da organização ou da sociedade, conversar com as pessoas envolvidas em um conflito ou procurar superiores para aliviar a pressão de trabalho, ajustando a carga de pressão interna, que possa controlar, à carga da pressão externa, que pode o influenciar.

Nesse sentido, observamos um propósito pessoal de não se deixar abater ou recuar antes de mobilizar-se pessoalmente na análise e avaliação de alternativas e resultados prováveis de ações ainda não tomadas em um futuro de baixo controle, evitando sucumbir antes de enfrentar a situação. Quanto maior a habilidade de antever e predizer os efeitos de ações ainda não tomadas em um futuro desconhecido maior o grau de Couping e maior o locus de controle assumido pelo profissional.

Qual a importância e benefícios de trabalhar o coping na organização?

Trabalhar no desenvolvimento das estratégias de coping no ambiente organizacional é extremamente importante, tanto para o negócio, como para os profissionais. Isso porque, principalmente no contexto atual, mudanças e problemas inesperados passam a ser a regra dentro do ambiente de trabalho.

Dessa forma, é essencial desenvolver estratégias de como lidar com as tensões e simultaneamente adotar enfrentamento eficaz, de forma a evitar o efeito negativo do estresse do colaborador e as consequências que isso gera para a organização.

Além disso, é importante desenvolver diferentes estratégias para que o profissional saiba qual utilizar em cada uma das situações. Isso significa que, diante de uma situação que foge do controle, pode ser mais eficiente utilizar estratégias relacionadas à prudência, contornando situações que comprometem o propósito e exigem o recrutamento de muitos recursos sem uma causa que justifique. Para tanto, o controle da emoções favorece a análise racional e de ações de efetiva razoabilidade.

Porém, em outras circunstâncias, como o surgimento de um problema em um projeto ou conflitos com colegas de trabalho, é importante que o profissional saiba como buscar as melhores soluções, de forma a enfrentar e/ou contornar o obstáculo e continuar gerando os melhores resultados para a organização.

Dessa forma, ao unir o desenvolvimento de competências, atributos ou inteligências comportamentais, raciocínio lógico, competências técnicas e coping, a exemplo dos social e softskill, o negócio está preparado para criar as melhores estratégias e soluções com o auxílio de um líder extremamente capacitado e pronto para lidar com os desafios de crescente complexidade e tensão da realidade contemporânea.

Esse conjunto de ações aumenta o engajamento do time e a produtividade dos colaboradores. Além do mais, cria um diferencial competitivo para o líder e para a organização, que se destaca perante o mercado.

Como aplicar o coping para criar um diferencial no negócio?

Agora que você já sabe o que é e qual a importância do coping para o negócio, é o momento de entender como aplicá-lo.

Invista em ações de desenvolvimento e assignments

O primeiro ponto para fortalecer a compreensão da importância e domínio do coping na sua organização é o investimento em desenvolvimento  para o time, principalmente aqueles com características de assignment.

É importante que os colaboradores tenham contato com o conceito de coping e entendam quais são as estratégias que utilizadas no caso de situações adversas geraram melhores resultados, como aquelas de um nível hierárquico superior. Ou seja, atividades que apesar de ainda não serem de responsabilidade do profisisonal não necessitariam permanecer com o superior.

Dessa forma, você aumenta o repertório comportamental do time e dos potenciais líderes, ou seja, a quantidade de estratégias psicológicas disponíveis para lidar com o estresse.

Desenvolva competências comportamentais e sociais

Algumas competências, atributos ou inteligências são essenciais para lidar com conflitos. Esse é o caso da resiliência, inteligência emocional, empatia, locus de controle, estilos de liderança por exemplo.

Isso porque todas elas auxiliam na visualização do problema a partir de outro ângulo e persistência, apesar das situações difíceis para encontrar uma solução nova diante da situação de estresse.

Incentive o coping em grupo

Muitas vezes há o foco grande em estratégias de coping individual. Porém, estratégias de coping coletivas costumam ser mais eficazes para o enfrentamento do estresse quando comparadas àquelas individuais, pois operam no fortalecimento dos vínculos no time.

Portanto, incentive os colaboradores a compartilharem e discutirem como se sentem e os possíveis problemas entre si. Isso porque o grupo pode ajudar na busca por soluções eficazes e inovadoras.

Saiba mensurar resultados

Capacitações nem sempre são sinônimos de resultados reais, principalmente quando condicionadas à abordagem obsoleta da combinação de “conhecimento, habilidade e atitude”, o famoso CHA.

Isso significa que, para obter resultados reais, é essencial saber como colocar os aprendizados em prática no dia a dia das atividades e, para isso, é importante que você mensure resultados para verificar possíveis problemas e impedimentos às estratégias de coping desenvolvidas. Desse modo, atribuir atividades e responsabilidades de crescente complexidade, principalmente aquelas que ainda não são da alçada do profissional, mas que de baixo risco não comprometa os objetivos dos superiores.

Implantar estratégias de coping na empresa é essencial para garantir bons resultados, hoje e no futuro, e um diferencial de mercado para o negócio. Portanto, utilize essas dicas para mostrar ao time que é possível lidar com obstáculo e situações difíceis de maneiras mais saudáveis e adequadas.

Nada mais efetivo para o time do que o desenvolvimento em atividades e situações reais, do cotidiano dos superiores, como as de baixo risco e de alta urgência.

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